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Iniciativa direciona doações para famílias do Morro da Cruz, em Porto Alegre

A campanha organizada pelo Coletivo Autônomo Morro da Cruz e pela startup Moeda do Bem visa ajudar comunidades a passar pela crise causada com a pandemia de coronavírus

HUBITTAT / Divulgação
Ação é organizada pela ONG Coletivo Autônomo Morro da Cruz e pela startup Moeda do BemHUBITTAT / Divulgação

A solidariedade em meio à pandemia de coronavírus tem sido manifestada de diversas maneiras pelo mundo. O sentimento de contribuir para o bem do próximo supera a distância física, gerando união. Na zona leste de Porto Alegre, a ONG Coletivo Autônomo Morro da Cruz e a startup Moeda do Bem desenvolveram um mecanismo para ajudar as famílias do Morro da Cruz e vilas no entorno a passarem pela crise causada pela doença covid-19. 

De acordo com os idealizadores da ação, devido às orientações para isolamento da população, a renda dessas famílias foi afetada pela interrupção de várias atividades e a impossibilidade de prestar certos tipos de serviços. 

— Com o uso da tecnologia e ferramentas de geoprocessamento, enviamos para as famílias, por meio do WhatsApp, uma mini entrevista sobre como o vírus atingiu a renda e quais eram as necessidades da casa. Desta forma, a plataforma recebeu as respostas e fizemos as análises do público que precisa de auxílio, já tendo a localização das famílias — explica o engenheiro civil e idealizador da Moeda do Bem Adriano Panazzolo, 54 anos. 

Na plataforma da Moeda do Bem, doadores podem contribuir com valores para a compra de alimentos, medicamentos, produtos de higiene pessoal e limpeza. A aquisição dos materiais para distribuição às famílias é uma das responsabilidades do Coletivo Autônomo, formado por voluntários que conhecem as comunidades. 

— Buscamos estabelecimentos no Morro da Cruz que pudessem disponibilizar as cestas básicas e produtos para a movimentação da economia local. Após, identificamos, por prioridade, as primeiras 20 famílias que receberam as doações. Organizamos de uma forma que elas mesmas buscassem nos comércios, com a ideia de direcionar sem criar tumulto e contato entre as pessoas — detalha Adriano. 

Segundo o engenheiro, antes da primeira entrega, que ocorreu na segundafeira passada, dia 23, eram cerca de 200 famílias cadastradas na pesquisa “Emergência Coronavírus”. Após a divulgação, o número subiu para 500 famílias. Atualmente, a pesquisa está fechada até que as famílias já cadastradas sejam atendidas. 

Outras comunidades entre beneficiadas 

Morador do Morro da Cruz e voluntário da ONG, Eduardo Rafael Santos, 31 anos, conta que a pesquisa das famílias tem atendido as comunidades da Vila São José, Vila Coreia e Campo da Tuca, entre outras vilas. Segundo ele, são cerca de 60 mil famílias que vivem na região, muitas em vulnerabilidade social. Além disso, inúmeras delas sobrevivem do trabalho informal, de “bicos”. 

Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal
Eduardo atua na organização das doaçõesArquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

— Alguns estão se adaptando pela internet, fazendo entregas, mas barbearias estão fechadas e o pessoal não consegue mais trabalhar nos seus comércios. Está difícil para vender e, assim, para comprar o alimento. Há muitos relatos de pessoas que têm passado por necessidade, por isso, nossa missão é auxiliar essas famílias — explica. 

Eduardo é quem faz o contato direto com as pessoas e, por isso, destaca que toma todos os cuidados para que o vírus não seja disseminado, usando luvas e máscara: 

— Estou mais perto dos moradores. Então, acompanhei as entregas, e uma delas foi muito emocionante. As crianças trouxeram desenhos em agradecimento. Só depois que começamos a distribuir as cestas básicas que alguns moradores acreditaram na ação e fizeram o cadastro. Por isso, o número de famílias mais do que dobrou de um dia para outro. 

Conforme o voluntário, até sábado passado, foram entregues pelo menos 135 cestas básicas. A família da dona de casa Andriele de Oliveira Farias, 25 anos, foi uma das atendidas. 

— Em meio ao caos provocado pelo vírus, é maravilhoso saber que existem pessoas empenhadas em possibilitar o básico que a humanidade precisa, que é o amor. O amor ao próximo, a preocupação e a compaixão. Que esse vírus desperte em todos a bondade que já existe nos envolvidos nessa ação. 

Atender as famílias é o objetivo do mapeamento

O Coletivo Autônomo Morro da Cruz desenvolve diversos projetos com a comunidade. Segundo a presidente da ONG, a antropologa Lúcia Scalco, eles vão além das atividades no turno inverso ao da escola. Ela explica que a pesquisa usada para atender a emergência criada pela pandemia de coronavírus é dinâmica, e o projeto de mapeamento das famílias já era planejado, antes, para outros objetivos, além da distribuição de produtos essenciais. 

— Queremos levar informação, afeto, entretenimento e atendimento psicológico, entre outras ações. Em todo meu trabalho de 15 anos no Morro da Cruz, faço a escuta deles. Por meio dessa plataforma, queremos saber as demandas, seguir interagindo, tornar esse projeto um modelo para outros lugares — explica Lúcia. 

Segundo ela, o canal de comunicação a partir do cadastrado é uma das formas de se construir uma rede unindo quem pode ajudar e aqueles que precisam de ajuda: 

— Com essa base tecnológica, queremos fazer a tradução de informações, responder o que são fake news, dar auxílio médico, fazer essa conexão. Meu trabalho é essa ponte para que todos possam construir e aprender juntos, reconhecendo as potencialidades e o protagonismo das pessoas que vivem nas comunidades. 

A Moeda do Bem foi criada para conectar os doadores e com os projetos sociais da ONG. Segundo Adriano, seria uma forma de o doador fazer sua contribuição de uma forma fácil. 

— A startup nasceu com o intuito de usar a tecnologia para ajudar as comunidades. Começamos arrecadando recursos e atraindo estabelecimentos que beneficiassem os doadores — explica. 

Para a “Emergência Coronavírus”, Adriano afirma que a ação depende, apenas, da logística local para organização dos produtos e de mais doações: 

— É importante destacar que, com parceria e a tecnologia, podemos ajudar muitas famílias. 

Fonte: Caroline Tidra – GauchaZH

Voluntários transformam a realidade de crianças do Morro da Cruz, em Porto Alegre

Coletivo Autônomo Morro da Cruz oferece atividades extracurriculares ligadas ao esporte, à cultura e ao lazer. 

Tadeu Vilani / Agencia RBS
Capoeira é uma das atividades oferecidas Tadeu Vilani / Agencia RBS

Reconhecer as potencialidades do lugar em que vivem, unir a comunidade, proporcionar conhecimento e atividades extracurriculares são apenas algumas das tarefas da ONG Coletivo Autônomo Morro da Cruz, na zona leste de Porto Alegre. Apesar do pouco tempo em atividade, o movimento tem trazido um novo sentido para a vida de muitas crianças e adolescentes da região. 

Por meio de oficinas de capoeira, alfabetização, reforço escolar, inglês, ioga, coral, artesanato, percussão, entre outras, um grupo de voluntários e educadores sociais se mobiliza para transformar a visão da comunidade e explorar novos talentos.

– Nosso propósito é mostrar o que eles são capazes de fazer e descobrir potencialidades – explicam Elenira Martins Pereira, 57 anos, Jorge Menezes, 53 anos, e Eduardo Santos, 30 anos, alguns dos idealizadores.

O Coletivo começou oficialmente em abril deste ano, mas a iniciativa é bem mais antiga. Há quase três anos, durante o desenvolvimento de estudos da antropóloga Lucia Scalco, atual presidente da ONG, um grupo se reuniu para construir uma escadaria no Beco das Pedras, dominado por vielas e esgoto a céu aberto. Segundo Elenira, vice-presidente da ONG, a obra começou a reunir muitas crianças, curiosas pela movimentação das pessoas estranhas. 

No local, havia uma geladeira velha onde as crianças começaram a guardar papéis, canetas e brinquedos, quando terminavam de brincar e assistir a andança dos visitantes. Elas passaram a chamar o local de escolinha. 

Tadeu Vilani / Agencia RBS
Eduardo, Elenira e a famosa geladeira Tadeu Vilani / Agencia RBS

Ao ver ali uma porta de entrada para um projeto maior, voluntários resolveram levar a “eskolinha” – com K, nome dado pelos participantes –, para um espaço cedido na sede da Associação de Moradores do Morro da Cruz. Construída a muitas mãos, a sala consegue atender cerca de 40 crianças diariamente com 15 voluntários. Só não abre aos domingos e, pouco a pouco, novas atividades estão sendo ofertadas. 

Parte das oficinas também ocorre na quadra de esportes da comunidade. A geladeira, símbolo de todo o processo, está logo na entrada da sede, que tem se tornado, cada vez mais, um ponto de referência para o bairro.

É muito legal poder vir até aqui, pois é diferente da escola. Eles nos dão mais atenção, são mais gentis

ISADORA DA SILVA, NOVE ANOS – Faz reforço escolar na instituição

– É muito legal poder vir até aqui, pois é diferente da escola. Eles nos dão mais atenção, são mais gentis – revela Isadora da Silva, nove anos, que faz reforço escolar na organização. 

A dificuldade em aprender a ler e escrever notada em crianças em idade escolar chamou a atenção dos professores voluntários e tem sido trabalhada com prioridade pela direção. As aulas são ministradas pela educadora e ex-deputada federal Esther Grossi e sua equipe.  

– É um grupo que teve problemas na escola e que ainda não sabia ler nem escrever. Isso acaba criando problemas com os demais colegas, como o bullying. Precisávamos tirar esse bloqueio trazido pela escola – ressalta Elenira.

Só a alfabetização tem 22 estudantes, de sete a 15 anos.

Tadeu Vilani / Agencia RBS
Grupo procura parcerias para crescer Tadeu Vilani / Agencia RBS

Recentemente, um novo espaço foi cedido para a ONG. A estrutura onde ficava uma capela, a cerca de cinco minutos da sede oficial, está fechada e demanda uma reforma. O grupo de professores e alunos está em busca de materiais de construção e parceiros para realizar a obra. Como não recebem nenhum tipo de apoio financeiro do poder público e iniciativa privada, a ONG também precisa de doações de alimentos (leite, chocolate em pó, bolachas, pão) para os lanches dos alunos. Em setembro, a turma da capoeira vai participar de uma atividade externa e ainda não tem a roupa adequada para a apresentação. 

Fonte: Jéssica Brito – GauchaZH

No Morro da Cruz, coletivo oferece música, esporte e edução para crianças e adolescentes

Projeto oferece oficinas de capoeira, hip hop e poesia, percussão e música, artesanato, dança e aulas de reforço. Foto: Guilherme Santos/Sul21

Annie Castro

Na Travessa 25 de julho, em Porto Alegre, uma associação comunitária, uma ONG, um atelier e um coletivo dividem o mesmo terreno, onde desempenham atividades sociais voltadas para a comunidade local. O Coletivo Autônomo Morro da Cruz, que em breve virará uma ONG, é o mais recente a ocupar o espaço. Apesar de ter sido criado oficialmente em julho de 2018, foi no início deste ano que passou a ter o atual formato, com atividades que atendem cerca de 40 crianças e adolescentes por dia.

“A ideia começou há três anos com a criação da escola que acontece aqui nos sábados. Estávamos no Beco das Pedras, onde faríamos um mutirão para construir uma escadaria. Era aquela confusão de crianças, e uma menina começou a levar papel e lápis. Eles começaram a chamar de escolinha e aquilo foi crescendo, até que resolvemos construir esse espaço”, conta a antropóloga Lucia Mury Scalco, que há mais de dez anos acompanha os projetos que acontecem no Morro da Cruz.

A relação de Lúcia com a comunidade começou durante seu doutorado, em 2007, quando estudou quais mudanças aconteciam com as famílias quando elas tinham acesso ao computador. O Morro da Cruz foi um dos pontos onde Lúcia atuou enquanto antropóloga para a pesquisa e, desde então, manteve uma relação com os moradores locais. “Por uma questão ética eu acho chato quando as pessoas vão aos locais, só pegam informação e vão embora”, afirma Lúcia. Na época, ela conheceu Juliana da Silva, 26 anos, e Eduardo Rafael Santos, 30 anos, que hoje atuam na coordenação do Coletivo, integrando a equipe de cerca de 15 monitores que participam do projeto.

Quando Lúcia começou a frequentar a comunidade, existia somente a Associação Comunitária do Morro da Cruz no terreno na Travessa 25 de julho. “O prédio já estava bastante demolido e em risco. Conseguimos doações, fizemos uma reforma, aí virou um espaço para festas, mas era ruim para ter projetos”, conta. Ela lembra que a área onde hoje existe o Atelier da Cruz, a Ong CIUPOA e o Coletivo era um espaço em más condições, que não era ocupado por ninguém. “Colocamos tudo abaixo, eu e a senhora responsável pela CIUPOA. Começamos a organizar o lugar, ela construiu a sede dela e bem depois eu fiz a nossa”, lembra.

A antropóloga Lúcia acompanha a comunidade do Morro da Cruz há mais de dez anos. Foto: Guilherme Santos/Sul21

Música, esportes e educação

A decisão de criar o Coletivo surgiu a partir da realidade da escolinha nos sábados. “A escola foi nos mostrando novas necessidades dos jovens que a gente poderia atender. Percebemos que muitos não sabiam escrever, ler, e então resolvemos fazer oficinas em várias áreas”, conta Lúcia. Atualmente, o projeto oferece oficinas de capoeira, hip hop e poesia, percussão e música, artesanato, dança, além de aulas de reforço. De segunda a sexta-feira, cada dia da semana é dedicado a uma dessas atividades. As oficinas são divididas em quatro turmas, duas no turno da manhã, das 8h às 10h e das 10h às 12h, e duas durante a tarde, das 13h30 até 15h30 e das 15h30 até 17h30. Nos sábados, a escolinha acontece das 9h30 até às 12h30min e atende desde crianças com 2 anos de idade até jovens com 14.

De acordo com Juliana, que participa do projeto desde o início, cada atividade tem um instrutor responsável por todas as turmas durante o dia determinado para a área que ele atua. Quando algum professor falta, Juliana fica responsável pelas turmas da tarde, turno em que sempre está no Coletivo. “Quando precisa eu entro com esporte e dou aulas de futebol, fazemos jogos, levo bicicleta, patinete. É algo mais livre mesmo, depende do que eles querem fazer”, explica Juliana. Se a falta de professor acontecer durante a manhã, o coordenador Eduardo é quem assume a aula com atividades envolvendo grafite.

Segundo Eduardo, as oficinas ajudam as crianças a descobrirem habilidades próprias que antes não conheciam: “Tem um pessoal muito bom surgindo daqui, nas oficinas de rap, por exemplo, as meninas fazem rima na hora, coisas que elas nem sabiam que faziam e agora estão se descobrindo aqui. O mesmo na capoeira, o pessoal está aprendendo a se defender”.

Juliana é da coordenação do Coletivo e participa dele desde a criação do projeto. Foto: Guilherme Santos/Sul21

Quando o Sul21 visitou a sede do Coletivo, na última quarta-feira (24), era dia da oficina de música e percussão. No interior da peça, as paredes são forrada com caixas de leite, resultado de uma parceria com o projeto Brasil Sem Frestas. Ali, sete meninas e quatro meninos acompanhavam com atenção as instruções do professor Fernando Bauer. Para ele, as aulas que ministra servem para trabalhar com as crianças diversos fatores, como coordenação motora, respeito, disciplina e postura.

“Eu costumo falar que o Paulo Freire diz que a educação muda as pessoas e as pessoas mudam o mundo, mas que eu acho que a música muda as pessoas e as pessoas mudam o mundo. E é essa ideia que eu tento trazer aqui pro coletivo, de que as crianças possam perceber que elas são capazes de fazer algo diferente, mostrar que existe também a música, a capoeira, o hip hop, para que não só a criminalidade seja algo atrativo para elas”, afirma.

De acordo com Eduardo, existem certos pré-requisitos que os jovens precisam cumprir para participar das oficinas. Um deles é que as crianças e os adolescentes precisam ter uma alta frequência no colégio. “Como temos uma parceria com as escolas, é possível fazer esse controle de ver se eles estão indo na aula, se estão bem nas matérias. Se estiverem mal, avisamos que eles podem ser encaminhados pra nossa aula de reforço, aí as escolas nos mandam as demandas deles e os alunos que estão precisando dessa ajuda”, explica Eduardo. Ele pontua também que o projeto sempre tenta fortalecer o vínculo do aluno com o colégio, como, por exemplo, sugerindo que nas oficinas de artesanato as crianças produzam materiais que podem utilizar na escola, como capas de cadernos e lápis enfeitados.

Outro ponto é a necessidade de um vínculo entre o Coletivo e o familiar responsável pela criança ou adolescente. Eduardo explica que os monitores diariamente avisam os responsáveis se o jovem já chegou ao Coletivo, se está demorando ou caso não apareça no dia. Ainda, são enviadas fotos das atividades realizadas. “O ideal do coletivo é que a gente não se limite só às oficinas. Precisamos que a família se proponha a, às vezes, estar aqui com os filhos, que eles entendam que não é só vir aqui reclamar dos filhos, mas que possam estar aqui para uma aula com eles”, afirma Eduardo.

Na ficha de inscrição existem duas perguntas: “Qual o seu sonho para o futuro?” e “Como você se imagina dentro desse sonho daqui a dez anos?”. De acordo com Eduardo, as respostas são uma forma de entender os jovens e o que passa na cabeça deles nesse momento, além de um meio para saber como é possível ajudá-los na realização desse sonho.

“O ideal do coletivo é que a gente não se limite só as oficinas”, afirma o coordenador Eduardo. Foto: Guilherme Santos/Sul21

O futuro do Coletivo

Como o Coletivo sobrevive financeiramente por meio de doações, os responsáveis decidiram transformá-lo em uma ONG, a fim de viabilizar projetos que resultem em algum retorno financeiro. “A ideia de criar uma ONG surgiu por essa necessidade de conseguir mais dinheiro para as atividades, já fizemos todo o estatuto e quais são os nossos objetivos. Estamos esperando toda a questão burocrática agora”, explica Lúcia.

De acordo com os integrantes do projeto, ainda há pouca integração da comunidade com o Coletivo. Para Juliana, isso é algo que irá mudar com o tempo. “Eles estão vendo o que está acontecendo e então vão começar a interagir mais com a gente”, afirma. Lúcia reforça que, embora o Coletivo atue diretamente com os jovens, a família é a “filosofia que atua como um fio condutor” do projeto. “Não é aquela família tradicional, é qualquer família. E a partir disso queremos ajudar não só as crianças ou pais, queremos integrar todo mundo da comunidade”, diz a antropóloga.

Além da criação da ONG, o grupo também planeja formas de chamar mais atenção das pessoas e de tornar a doação algo mais atrativo. “Nós tivemos a ideia de pedir uma doação financeira e dar de volta alguma coisa em troca porque não é esmola, queremos mostrar o nosso trabalho”, afirma Lúcia. Ela conta que o Coletivo está trabalhando no primeiro presente para quem doar. Ele será feito com o uso de retalhos de jeans, que virarão uma bolsa pequena, e com dicas que o grupo recebeu da Odontologia da PUCRS. “Eles nos ensinaram a fazer fio dental com saco de cebola, e agora estamos fazendo os protótipos. Aí a pessoa contribui com algum valor e vamos dar isso de volta”, conta.

O Coletivo também planeja arrecadar dinheiro para realizar melhorias em uma das quadras de esportes que ficam perto da sede. A ideia é colocar um teto solar e um forno solar para que as pessoas da comunidade possam utilizar o fogo para cozinhar quando estiverem sem gás.

Para Eduardo, a expectativa futura é de que o projeto consiga aumentar sua sede e receber mais alunos. “Queremos poder agregar mais a comunidade aqui dentro com as atividades, que as mães e os pais confiem em deixar os filhos com a gente e que sejamos uma referência para eles”, afirma.

Foto: Guilherme Santos/Sul21
Foto: Guilherme Santos/Sul21
Foto: Guilherme Santos/Sul21
Foto: Guilherme Santos/Sul21
Foto: Guilherme Santos/Sul21

Fonte: Sul21

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